outubro 28, 2012

Lições de um Boiadeiro

Posted in Aprendizado, Boiadeiros, Guias e Orixás, Mentores, Relatos e experiências tagged , às 1:42 am por carolyara

Uma das linhas que eu mais gosto, tanto quanto os pretinhos-velhos, é sem dúvida nenhuma a gira dos boiadeiros!! Certa vez, preocupada com a quantidade de atividades que eu tinha assumido e estava angustiada por achar que não daria conta, sem condições mesmo para desempenhá-las, eis que um querido boiadeiro me disse:

Quando os gados se esparramar, desgovernados, por entre o rebanho… toca o berrante, filha!

Naquele momento eu aprendia a lição da descentralização. Que tem horas que a gente precisa pedir ajuda, repartir tarefas, toca o berrante para conseguir ser acudida naquilo que sozinha eu não daria conta.

São com espíritos como esses que aprendo muito sobre a vida. E os sinto como os encarregados mais próximos de oxalá. Que desce quando a coisa tá no último segundo do aperto.

 

Pra quem não os conhecem bem…

Os Boiadeiros

São espíritos de vaqueiros, posseiros, capatazes, cangaceiros e até caboclos e espíritos afins. Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, por isso, aproveitam a oportunidade do trabalho como espíritos desencarnados, incorporados na Umbanda para galgar essas esferas de desenvolvimento espiritual, antes de uma nova reencarnação.

Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que dizem serem mais primitivos.  Portanto, podemos dizer que são espíritos que já conviveram em sua última encarnação com prática da magia na terra e o trato com aspectos naturais. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões por exemplo:  Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc…

 

Em sua maioria são meio rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Preto-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função, pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos). PS: Mas isso não impede que eles possam dar atendimento, consulta ou passes.

Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações, já que a presença desses espíritos muitas vezes interfere nas consultas de médiuns conscientes. Esses espíritos atendem a boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas.  São verdadeiros conselheiros e sua maior devoção é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele como um “filho”.

 

E nesse ponto eu queria compartilhar uma proteção intensa que recebo do boiadeiro com quem eu trabalho: SEU LAÇO!! Por razões muito íntima mesmo, particular, percebi que seus laços são verdadeiros círculos mágicos. Por onde o universo passa. Que podem ser o instrumento mesmo com o coro, mas podem ser uma corrente, uma guia, podem ser os laços que unem as pessoas, o fio da vida, que nos mantém vivo, até o cordão de prata, que liga o espírito ao corpo ou o cordão umbilical.

Graças a essa LINDA LINHA eu devoto e agradeço minha própria vida. Agradeço a vida do meu filho, que nasceu todo enrolado, com um nó real no cordão umbilical mas que era frouxo o suficiente para não interromper o fluxo de sangue, oxigênio e fluídos.

Benditos são os encarregados de Oxalá!!!!

 

 

julho 3, 2009

Aruanda: minha terra prometida

Posted in Aprendizado, Filhos de Aruanda, Mediunidade, Relatos e experiências às 3:49 am por carolyara

122108142214Eu trabalho como filha de santo na Umbanda desde 2004.

Ano que vem eu completo 6 anos como médium coroada. E, nesse tempo todo, devo dizer que o sentimento que eu sempre trago de lá, quando os trabalhos termina, sempre tem sido o mesmo: plenitude e emoção!

E eu nem digo pelo templo, pelo método ou pelo tambor… mas por todo aquele fervor que o meu corpo exala quando o chão começa a vibrar na sola do meu pé, todo o batimento que dispara no meu coração. Todo a intensidade de entrega e carinho que devoto aos meus orixás quando os sinto se aproximar, colocando suas mãos pousadas sobre meus ombros.

A Umbanda para mim é solo sagrado. É minha areia branca das dunas do caribe com aquelas praias verde água de Fernando de Noronha. Não por ser o Caribe ou por Fernando de Noronha, mas pela vibração boa dos trópicos. Pela cor da areia fofa e a transparência da água fresca. HOJE, percebo que, às véspera de um importante e novo rito de passagem que está por vir, cada vez mais, essa consagração de mar e mato se firma sobre a minha coroa, com as bençãos do meu PAI OXALÁ!! Só ele mesmo para consagrar a lacuna que Ogum carinhosamente, me fez batalhar para conseguir, dia após dias. Ano após ano, ao longo desses período todo.

centenario-Umb.-08-007Estar na tenda onde eu trabalho, com minha roupa de santo e minhas guias, entre os meus irmãos de fé, na corrente de Aruanda, é como integrar um momento mágico. E perceber esse caminho até o dia de hoje é mais do que uma dádiva sagrada, é louvor bendito da minha alma amalgamada em cada um dos passos que eu percorri e ainda percorro em direção aos Orixás!!! De doação desprendida, de elevação moral, de fraternidade. Ser a que traz os guias e poder testemunhar suas manifestações sobre a Terra é quase como ser instrumento do amor de Deus. Que é tão grande e misericordioso que nos dá a chance de poder estar com as irradiações naturais de sua própria criação para nos fazer resgatar aquela centelha divina que em todos habita.

Assim… a cada atendimento prestado, a cada colo ofertado e a cada trabalho evocado… (dos singelos aos elaborados, dos coletivos aos reservados), posso dizer que ganho um pedacinho a mais de mim. Afinsal, toda saia que roda, todo couro de atabaque que vibra e toda fumaça que sobe dos pitos dos baianos são definitvamente votos de fé, compromissos de amor e, sobretudo, a grande magia sagrada de luz!

Por isso… Aruanda é minha terra prometida… onde os filhos de Oxalá se encontrarão em uma gira de muita alegria e festa para saudar a Humanidade! SARAVÁ!!!!

Legenda das imagens: Trabalho realizado em 21 de dezembro, no Santuário Nacional de Umbanda (primeira) e parte do altar montado em comemoração ao Centenário Nacional de Umbanda (segunda), comemorado em 15 de novembro de 2008.

maio 26, 2009

Adorei as Almas

Posted in Aprendizado, Guias e Orixás, Mentores, Pretos-velhos às 4:07 am por carolyara

Pretos-velhos na Umbanda

Pretos-velhos na Umbanda

Para falar dos pretinhos-velhos é preciso resgatar uma lamentável época da história da nossa colonização: a escravidão dos negros africanos. As grandes Metrópoles (Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc.) subjulgavam suas colônias, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.

No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII. Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês. A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou-nos quatro séculos, do XV ao XIX, de exploração escancarada (entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas). Um contingente que constituiu uma parte considerável da população local.

Desse contexto, é importante perceber como seus cultos eram a forma dos escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, (e ainda é!) um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos representavam maneiras de aliviar a asfixia da escravidão.

Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir – mesmo de maneira precária – uma união representativa da língua, do culto aos Orixás e aos antepassados e, tornaram-se, assim, um elemento de referência para os mais novos. Quem refletia os velhos costumes da Mãe África. Assim, eles conseguiam preservar e até modificar, no sincretismo, parte importante de sua cultura e sua religião.

Hoje, pensar na corrente das alma – essa linha tão bendita que, humildemente celebramos no mês de Maio – é o mesmo que pensar nessas milhares de espíritos que desencarnaram, cada qual, em situações bastante adversa, mas que hoje voltaram para a prática da caridade e do aprimoramento moral e espiritual. Até porque, muitos eram os que morriam precocemente, daí a missão desses espíritos em dar continuidade em seus adiantamentos, por partirem quando suas missões ainda não estava totalmente cumprida.

Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. A legião de espíritos chamados “pretos-velhos” foi formada no Brasil, como parte integrante e fundamental do Culto aos Orixás.

preto_velhoFormação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda

Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam. O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.

Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem discorrer sobre conceitos como karma e resignação como ninguém

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma. Assim como crianças, caboclos e outras Linhas de Umbanda. Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda assim, com essa identidade e afinidade.

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão.

Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.

Características:

    • Linha e Irradiação: Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente
    • Fios de Contas (Guias): Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda
    • E um detalhe curioso: Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.
    • Roupas: Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.
    • Bebida: Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).
    • Dia da semana: Segunda-feira
    • Planeta regente: Saturno
    • Cor representativa: preto e branco;
    • Saudação: “Adorei as Almas”
    • Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.
      • Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.

Qualidade dos Pretos-Velhos:

agnes-do-santo2A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham. Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:

Pretos-Velhos De Ogum: São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes. São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas. São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”.  É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.

Pretos-Velhos De Oxum: São mais lentos na forma de incorporar e até falar.  Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior.  As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.

Pretos-Velhos De Xangô: Sua incorporação é rápida como as de Ogum. Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais. Passam seriedade em cada palavra dita.  Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.

Pretos-Velhos De Iansã: São rápidos na sua forma de incorporar e falar.  Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas. Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá. Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa.  São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual. Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego.  É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.

Pretos-Velhos De Oxossi: São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas. Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo. Possuem uma especialidade:  A de  receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc…  São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.

Pretos-Velhos De Nanã: São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda.  Lenta e muito pesada.  Enfatizando ainda mais a idade avançada. Falam rígido, com seriedade profunda.  Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo. Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo.  Não admite injustiça. Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”.  Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral.  Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada. É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta. São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função. Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.

pretos-velhosPretos-Velhos De Obaluaiê: São simples em sua forma de incorporar e falar.  Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral. Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros. Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também.  Pois entendem que a correção é uma forma de amar. Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos.  Ou seja,  se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento. Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos. Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes.  Tanto pessoal como profissional e até espiritual. Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos. Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.

Pretos-Velhos De Iemanjá: São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade.  Sua fala é doce e meiga. Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares. Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar. Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.

Pretos-Velhos De Oxalá: São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos. Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos. Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom corpontamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.

Fontes de pesquisa e estudo:

* Sabedoria de Preto Velho – Pinheiro, Robson

* Livro dos Espíritos – Allan Kardec

* http://www.akcm.org.br/pai-joaquim.htmhttp://www.aevb.org/

* http://br.geocities.com/monazitica/pretosvelhos2.html

* Escravidão no Brasil, suapesquisa.com.br

abril 13, 2009

Como se defender das Urucas

Posted in Aprendizado, Assitência Espiritual, Encantaria Afro-brasileira, Para defesa e proteção, Recomendo às 1:58 am por carolyara

Nossa Senhora da Defesa

Nossa Senhora da Defesa

Mal olhado, Quebrantes, energia pesada (ou carregada), maus espírito (de obssessores a zombeteiros) e afins… tudo isso, no meu linguajar de “dia-de-semana” eu custumo chamar de Urucubaca, ou somente Urucas. Que, segundo o Dicionário de Folclore Para Estudantes, seria:

URUCUBACA. Ou cafife, ou caiporismo, ou azar, ou sorte mesquinha, ou sorte torcida, ou má sorte, significa, como o próprio nome está dizendo, a falta de sorte no que a pessoa faz. A palavra urucubaca vem de urubu – ave de mau agouro e cumbaca, um peixe azarento que, se pescado estraga o dia do pescador.

Em todos os tempos, em todos os lugares, sob qualquer contexto social, estamos sempre suscetíveis a esses tipos de malefícios… uma vez que a própria maldade é inerente a condição humana. A questão aqui não é indagarmos por que ela existe e nem criar falsas esperanças que podemos sempre ficar ilesos delas, porque não é o caso. O grande lance, na Umbanda e em muitas tradições que se utilizam da manipulação de energia, magia, encantaria e pajelança como atributo é aprender a lidar com isso. Como se defender das Urucas…

Abaixo, listo então, o que eu chamo de “As 5 Receitas favoritas (e básicas!) de toda prática Umbandística”, hehehe:

vela-anjo1) Vela para o anjo de guarda

Todo mundo possuem deidades protetoras. Na Umbanda, humildemente as chamamos (não importa a crença ou particularidades) de “Anjos da Guarda”. Para que possam se manter cada vez mais presentes em nosso caminho, cotidianamente, irradiados em nossas condutas e gestos, é preciso que estejamos sempre em sintonia com suas energias. Para que as vibrações estejam compatíveis e, assim, Eles possam se afinizar e se aproximar. O ato simbólico de acender uma vela e proferir uma prece ao seu guardião é muito mais protetiva, do que efetiva, em termos de garantia de uma proteção e defesa; a medida que a vela sozinha, é só parafina. Não pode fazer muita coisa real, se acesa só por acender, sem mentalizações e preces intuidas. Agora, o momento em que se pára para dedicar aquela Luz aos Seres que são mais iluminados que nós, com o intuito de pedirmos suas aproximações, em defesa dos nossos passos e rumos; aí sim há projeção da mente plasmando boas irradiações e energia. E é exatamente esse resultado que almejamos, quando se recomenda uma vela para o anjo da guarda. Fazer o consulente se alinhar com a sintonia do seu protetor, para que sua presença energética-espiritual possa se fazer mais efetiva no dia-a-dia.

Assim, separar uma velinha branca, sobre um local alto, que fique acima da sua coroa medíunica (cabeça), para que ela se irradie de cima para baixo é logo a primeira atitude que nos ajuda a afastar qualquer tipo de mal.

banho-ervas_thumb512) Banho de Defesa e Proteção

O banho de Defesa eProteção tem como finalidade se utilizar das propriedades energéticas e fitoterápicas que cada planta tem, a serviço do reequilíbrio vibracional do próprio corpo perispiritual (camada que envolve o espírito na forma humana). Para tanto, pegue uma caneca com um copo ou um pouco mais de água, coloque as ervas de sua preferência, amasse bem até a água ficar verde. Peneire e após o banho de higiene (muito importante), complete com água quente, do próprio chuveiro, jogando o preparado da cabeça aos pés. Mas cuidado porque não é toda erva que pode ser jogada na cabeça. E ainda, para quem prefere ferver o conteúdo em fogo brando, no mesmo procedimento que o chá e/ou tem dúvida se pode usar esse tipo de erva na cabeça ou não, recomenda-se jogar a mistura do pescoço pra baixo. Apenas as misturas amassadas ou trituradas podem ser jogados na cabeça e corpo todo. Caso contrário, ferveu ou não se conhece exatamente as propriedades da planta, então preferir derramar do ombo aos pés.

Agora, tanto no momento do preparo quanto na lavagem do corpo, é fundamental que se mentalize coisas boas e bons fluidos de defesa e proteção, pedindo que as energias negativas não se aproximem. Algumas sugestões de ervas comuns: arruda, manjericão, guiné, benjoim, espada de são jorge, alfazema, alecrim, levante, salvia, tapete de Oxalá, abre demanda, louro, parreira, espada de santa bárbara, rosas, violetas e até essências.


passe-e-irradiacao3) Passe e Tratamento Espiritual

O passe e a consulta com o guia espiritual é o momento, sem dúvida nenhuma, de grande importânica na defesa das Urucas. De tempos em tempos, principalmente as vítimas de trabalhos feitos, precisam procurar um centro espírita ou uma tenda de Umbanda de sua confiança, para passar em avaliação. Funciona como em qualquer outras especialidade médica, contanto que essa é uma especialidade da vida espiritual. O guia se apresenta, faz algumas perguntas preliminares para estabelecer vínculos e, em seguida, dá-se o momento do passe. O passe nada mais é do que a manipulação e transferência de energias de radiação e cura para o envoltório espiritual, chamado tb de corpo perispiritual. Nesse momento, o guia se coloca como intermediário dessa transição, sendo especialista em trazer as vibrações do universo e das esferas de irradiação de energia cósmica, de onde trabalha sua linha e a coloca a disposição do corpo do assistido, com métodos de cura e reenergização dos centros de força e fluído.

Agora, é importante dizer: nãpo espere milagres das entidades… elas ajudam muito, aconselham, alertam e até intervem por nós, mas depende de cada um fazer sua parte em nome de sua reabilitação e cura. Eliminando maus hábitos, deixando vício e promovendo a prática contínua da reforma íntima e do aprimoramento moral.


expansaohumana

4) Trabalho de desobsessão ou descarrego

São trabalhos necessários quando uma pessoa está acompanhada de espíritos sem luz, entidades que atrapalham e prejudicam o consulente. Que, na garnde maioria das vezes, se aproximam de nós por compatibilidade energética e afinidade vibratória. Se são espíritos zombeteiros, muito ligados a depreciação e o escárnio, certamente estarão cada vez mais familiarizados com que alimenta em suas condutas, atitudes compatíveis com a maledicência, o sarcasmo, a arrogância e a humilhação. Do mesmo modo, espíritos sofredores se conectarão com aqueles que se entregam a dor e ao sofrimento, se desiludindo da vida e da fé. A quem adotam posturas mais exclusivistas, egoistas, muito ligadas a vícios, que limitam suas perspectivas apenas a seus desejos e anseios… e ainda destinam suas atitudes a puras satisfações pessoais e emocionais, hedonistas, presas a saciação do aqui e agora, mimadas; imediatamente se afinizam com as energias de espíritos obssessores, vampirescos, que só olham para suas necessidades para satisfazer a necessidade da matéria.

E, uma vez estabalecidos os vínculos de conexão com o corpo perispiritual (pela zombaria, pelo sofrimento ou pela obsessão), na maioria das vezes não é possível despreender a ligação sem uma intervenção mais incisiva e direta, por meio do trabalho de descarrego ou desobsessão espiritual.


65306771_3b557be6f75) Amuletos e Patuás

Carregar amuletos, fazer patuás ou ter qualquer tipo de objeto-símbolo de proteção e defesa, também pode ser uma boa alternativa contra qualquer tipo de uruca. Mas atenção! Essas ferramentas são pessoais e intransferíveis. Portanto, só podem ser usadas e carregadas por uma pessoa: Você! Além disso, o mesmo amuleto ou patuá pode não dar o mesmo resultado a qualquer pessoa. Portanto, receitas sobre isso disponíveis na internet nunca trazem a mesma disposição às recomendadas direto da boca dos Guias ou Orixás. Pois tratam-se de poderosos veículos de comunicação com o plano astral. Não pode ser qualquer coisa e nem mesmo feitas de qualquer jeito. É preciso imantação e/ou confecção com fundamento.

E algumas distinção: AMULETO é é um objeto pequeno, comumente levado no pescoço ou na roupa, ao qual se atribuem virtudes mágicas; com finalidade defensiva, ouseja, protege seu portador das influências maléficas e das cargas negativas. No Brasil, os mais populares são a figa, a pata de coelho e o trevo de quatro folhas. Já o TALISMÃ ésão um ou mais objetos reunidos com finalidades protetora, ou seja, geralmente têm propriedades mais ativos, porque servem para atrair determinadas energias ou capacidade. Um exemplo famoso seria a lâmpada de Aladim, que era capaz de conferir ao seu possuidor o direito de realização de 3 desejos. Já o PATUÁ, é um produto da fé. Ele exige a confecção de uma determinada encantaria, ou seja, feitiçaria que reunidas dentro de uma almofada, saquinho ou compartimento minúsculo e/ou isolado, seja possível elaborar um trabalho de compactação de diversas energias, dentro daquele produto. Imantado e produzido exatamente para sintetizar uma série de propriedades magística, com finalidades tanto protetoras como defensora, dependendo do fundamento e do elemento de cada caso.

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Há ainda algumas mandingas e  mirongas que a gente aprende também, com anos de trabalho e relação com os Guias e Orixás. Tanto para os locais de trabalho, quanto para casa e dormitórios. Além de pequenas medidas de defesa e proteção que podem ser incorporadas no dia-a-dia. Mas essas são mais ligadas a Magia Natural de Umbanda e eu prefiro deixar para um próximo post, modo avançado, em caso de Urucas e até, trabalhos mandados. Até lá… cuidado, persistência e dedicação, regado com fé e coração puro, pensamentos elevados e alma sincera já estão de bom tamanho para lidar com esse tipo de coisa.

defesa_psi4

Assim, como a melhor defesa espiritual ainda é o poder da irradiação mental e pessoal, abaixo, selecionei duas orações bacanas, para servir de referência, no exercício diário de vigilância íntima e elevação da mente, contra qualquer tipo de negatividade e uruca!

ORAÇÃO CONTRA MAU OLHADO
Leva o que trouxestes; Deus me benze com sua santíssima cruz. Deus me defende dos maus olhos e de todos os males que me quiserem fazer. Tu és o ferro, eu sou o aço. Tu és o Demônio, eu o embaraço. Assim Seja!

PRECE PARA AFASTAR MAUS ESPÍRITOS
Em nome de Deus Todo Poderoso, que os maus espíritos se afastem de nós e que os bons nos sirvam de proteção contra eles. Espíritos malfeitores que inspirais aos homens maus pensamentos; Espíritos impostores e mentirosos que os enganais; Espíritos zombeteiros que vos divertis com a sua credulidade, nós vos repelimos com todas as forças de nossas almas e não atendemos às vossas sugestões, mas imploramos para vós a misericórdia de Deus. Bons espíritos que vos designais assistir-nos, dai-nos a força de resistir à influência dos maus espíritos e a luz necessária para não nos tornarmos vítimas dos seus embustes. Preservai-nos do orgulho e da presunção; afastai dos nossos corações o ciúme, o ódio, a maledicência e todos os sentimentos contrários à caridade, que constituem o atrativo dos Espíritos do mal.

Espero que gostem…
=D

abril 12, 2009

Zé Pilintra e Família (Malandros na Umbanda)

Posted in Aprendizado, Baianos, Guias e Orixás, História e Origens, Malandros, Vocabulário e Nomenclaturas às 11:57 pm por carolyara

Seu Zé Pelintra, assim como outros guias que trabalham no Catimbó, trabalha também na umbanda.

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Na medida em que o Catimbó entra na área urbana, território típico da Umbanda, ou mesmo a Umbanda vai para o interior estas duas práticas tem que se encontrar. É neste momento que certamente Zé Pelintra entra para o Catimbó.Isto certamente ocorre nos centros onde pessoas de Umbanda também trabalham com mestres e provavelmente já eram de Umbanda e absorvem o Catimbó em um movimento muito típico da Umbanda que absorve várias Religiões e Culturas.

No Catimbó ele é Mestre, e por ser uma entidade diferente das que são cultuadas na Umbanda, ele não trabalha numa linha específica, porém, sua participação mais ativa seria na gira de baianos e, em alguns casos, na linha da esquerda, como exú. Sua principal marca é ser um espírito “boêmio”, “malandro” e brincalhão e, mesmo assim, trabalha com muita responsabilidade. Seu Zé cobra muito de seus médiuns, cobra por seriedade, entrega, disciplina, dentre outras virtudes.

Na direita ele vem na linha de baianos, fuma cigarro, bebe batida de coco ou simplesmente cachaça. É representado por uma tradicional vestimenta (calça branca, sapato branco, terno branco, gravata vermelha e chapéu branco com uma fita vermelha).

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CARACTERÍSTICAS MARCANTES

A primeira é ser muito brincalhão, gostar muito de dançar, de mulheres e de bebida. Mas é muito comum, também, encontrá-lo mais sério, parado em um canto, assim como sua imagem gosta de representá-lo olhando para o movimento ao seu redor. Contudo, quando ele vira para a esquerda, ele pode vir trajado de um terno preto, calças e sapatos também pretos, gravata vermelha e uma cartola,fumando charutos, bebendo conhaque e uísque, até – em alguns casos – usa uma capa preta. Mas seja do lado que for, você sempre verá um Zé Pilintra coms eu pito (cigarros ou cigarrilhas), um uma bebidinha nas mãos, sempre muito brincalhão e extrovertido.

REPRESENTAÇÃO E ORIGENS

Personagem bastante conhecido seja por freqüentadores das religiões onde atua como entidade,  por sua notável malandragem, Seu Zé tem sua imagem reconhecida como um ícone, um representante, o verdadeiro estereótipo do malandro, ou porque não dizer, da malandragem brasileira e mais especificamente, carioca. Trata-se de uma corrente que, de uma forma ou de outra, permeia o imaginário popular da cultura brasileira e, portanto, carrega suas egrégoras tanto como outras.

Um do seu maior destaque está justamente no fato do Seu Zé ter uma tremenda elegância e competência, mesmo sendo negro (levando em consideração que, para a época em que os negros e brancos viviam praticamente isolados, apesar da existência de uma numerosa população mestiça nas grandes cidades brasileiras, e que desse abismo social implicava também uma grande divisão financeira de classe social). É como se a figura do Seu Zé torna-se representativa da própria dignidade do negro, deixando para trás a idéia de um negro “arrasta-pé”, maltrapilho ou simples trabalhador braçal.

Em sua origem, Seu Zé torna-se famoso primeiramente no Nordeste… Primeiro como freqüentador dos catimbós e, depois como entidade dessa religião. Vale destacar aqui que o Catimbó está inserido no quadro das religiões populares do Norte e Nordeste e traz consigo a relação com a pajelança indígena e os candomblés de caboclo muito difundidos na Bahia.

Conta-se que ainda jovem era um caboclo violento que brigava por qualquer coisa mesmo sem ter razão. Sua fama de “erveiro” vem também do Nordeste. Seria capaz de receitar chás medicinais para a cura de qualquer mal, benzer e quebrar feitiços dos seus consulentes. De acordo com Ligiéro (2004), Seu Zé migra para o Rio de janeiro onde se torna nas primeiras três décadas do século XX um famoso malandro na zona boêmia carioca, a região da Lapa, Estácio, Gamboa e zona portuária. Segundo relatos históricos Seu Zé era grande jogador, amante das prostitutas e inveterado boêmio.

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Contudo, há outra história que conta que Seu Zé teria nascido no povoado de Bodocó, sertão pernambucano próximo a cidadezinha que leva o nome de Exu, à qual segundo o próprio Zé Pilintra quando manifestado numa mesa de catimbó, foi batizada com este nome em sua homenagem, já que sua família era daquela região antes mesmo de se tornar cidade. Fugindo da terrível seca de meados do século passado que abatia todo o sertão, a família do então “José dos Santos” rumou para a Capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe pregou uma preça que culminou com a morte da mãe, antes mesmo que o menino Zé completasse 3 anos. Logo em seguida, morreria seu pai de tuberculose.

José então ficou orfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus sete irmãos menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Conta-se que, certa vez, Zezinho, como também era conhecido, teve que enfrentar cinco policiais numa briga no cabará da Jovelina, no bairro de Casa Amarela. Um dos soldados recebeu um corte de peixeira no rosto que decepou-lhe o nariz e parte da boca. Doze tiros foram disparados contra Zezinho, mas nenhum deles o atingiu. Diziam que ele tinha o corpo fechado. Antes que chegassem reforços, Zezinho já tinha fugido ileso, indo se esconder na casa do coronel Laranjeira, um poderoso usineiro pernambucano, protetor do rapazote e família. Em decorrência deste episódio, Zezinho ganhou o apelido de Zé Pilintra Valentão, nome esse dado pelos próprios soldados da polícia pernambucana. Pilintra significa pilantra, malandro, janota etc. Assim, entre trancos e barrancos, Seu Zé consegue fazer fama na cidade de Recife e criar seus irmãos até a maior idade.
Quanto a sua morte, autores descordam sobre como esta teria acontecido. Afirma-se que ele poderia ter sido assassinado por uma mulher, um antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso. Porém, o consenso entre todas essas hipóteses é de que fora atacado pelas costas, uma vez que pela frente, afirmam, o homem era imbatível.

Para Zé Pelintra a morte representou “um momento de transição e de continuidade”, afirma Ligiéro, e passa a ser assim, incorporado à Umbanda e ao Catimbó. Todavia, a principal história que seu Zé Pelintra quer escrever, é a da caridade, tanto aquela que ele dedicou aos seus entes queridos e pares de sangue, como também àqueles em que deveu um auxílio e apoio mútuo quando em vida. É assim que seu Zé Pelintra, hoje ao lado do espírito dos seus irmãos e irmãs em vida, formaram uma bela Falange de malandros de luz, que vêm ajudar aqueles que necessitam.

FAMÍLIA PILINTRA

Além do Zé Pilintra, há espíritos mentores, como ele, também conhecidos como Antônio Pilintra, Maria Pilintra, João Pilintra, Joana Pilintra, Mané Pilintra e Rosa Pilintra. Mas ainda, há suas qualidades de Zé Pilintras viradas na esquerda, que ganham atributos específicos da vida do Seu Zé, como Seu Zé Malandrinho, Seu Malandro, Malandro das Almas, Zé da Brilhantina, Malandro da Madrugada, Zé Malandro, Zé Pretinho, Zé da Navalha, Zé do Morro, e por aí vai. Só vale ressaltar que os Malandros não são exus, embora venham na Linha de Esquerda. Ao contrário dos Exus que estão nas encruzilhadas, encontramos os malandros em bares, subidas de morros, festas e muito mais.

Aqui, gostaria de fazer uma especial contribuição sobre uma Guia, muuuuuito importante na minha vida mediúnica. A baiana que eu trabalho desde o meu primeiro dia de Filha de Santo, na Umbanda, Sra. JOANA PILINTRA! Trabalho com ela há 5 anos e desde então, aprendi muito com suas histórias. Em vida, foi mãe de 3 filhos. Trabalhou nas louvas de Milho enquanto o marido foi tentar a sorte no ciclo da borracha, nos seringais. Ela sempre se intitula devota de Nossa Senhora da Glória. Solitária mas muito bonachona, penso na Joana quando penso naquelas mulheres de avental, saia, blusa de campanha e lenço na cabeça. Mulher da Lida!! Mão calejada do trabalho da roça e de casa. Mas, a noite, depois do banho, era Senhora Vaidosa. Sempre em seus vestidos de tecidos muito simples mas rendeiros, Joana só se dedicava, ora aos filhos, ora a comunidade. ‘Rezedeira’, como ela mesma diz, era daquelas que conhecia todo mundo, que era chamada pra ir na casa de todo mundo, mas particularmente na dela, ela não gostava de receber. Dona de uma generosidade sem fim, ao mesmo tempo que ela pode ser carinhosa e  cuidadosa, também já a vi dura e rígida. Como mãe que dá a palmatória certa nas horas que tem que dar. Sua fala é comprida… adora uma boa prosa. Mas quando dá pra falar curto e grosso… hummm. Segura! A língua fica maior do que a boca.

Acho que aprendi com ela e com a Família Pilintra esse lado, ri para resistir!!

Dançar, beber e brincar, sem abusar. Porque a vida não é feita só de excessos… é também senhora da moderação.  Com eles, percebi quanto dessa luta e dessa gana sou capaz de reinventar, todos os dias, para eu mesma suportar as peripécias que esse mundo dá. E, ao mesmo tempo, fazer da aflição do outro, um motivo de se motivar e prosseguir, como quem trilha sua própria tristeza e avança. Porque vê no outro e projeta na caridade e generosidade alheia a mesma dedicação e o mesmo esforço que tanto precisa ter e desenvolver na vida para dignar a si mesma.

TIRA TEIMA:

  • Comida: carne seca com farofa ou escondidinho de macaxera, que é o mesmo que mandioca. (Na esquerda, acrescentar pimenta vermelha)
  • Bebida: Cerveja branca bem gelada
  • Locais de vibração: Subida de Morros, Cemitérios, bares, zonas portuárias, áreas boêmias
  • Cor: Vermelho e Branco ou Preto e Branco, ou ainda somente o Preto

Salve seu Zé Pilintra!
Saravá a Família Pilintra!!
Salve a corrente dos Malandros! !!

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FONTES DE PESQUISA
http://www.imagick.org.br/zbolemail/Bo08x07/BE07x08.html
http://www.zepelintra.com.br/
http://povodearuanda.blogspot.com/2006/12/z-pelintra.html
http://www.terreirodeyansa.hpg.ig.com.br/zepelintra.htm
http://www.povodesanto.com.br/catimbo/My_Homepage_Files/Page66.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pelintra

março 18, 2009

Mensagem de um Caboclo

Posted in Aprendizado, Caboclos, Guias e Orixás, Recomendo às 3:20 am por carolyara

(Texto amplamente difundido pela Internet, mas que particulamente, eu gosto muito!)

Caboclo Ubirajara - Peito de Aço

Caboclo Ubirajara - Peito de Aço

Por mais longa que seja a caminhada…
Por mais íngreme que seja o caminho…
Por mais pedras e obstáculos que possas encontrar…

Não desistas!

A convicção na certeza de alcançarmos nossos objetivos, nos fará suportarmos todas as intempéries e incertezas que o futuro nos indicar. Pois, somente assim, ao raiar de um novo dia, conseguiremos ver a brilhante luz do sol, e sentir o calor que só ele produz, a aquecer-nos o coração enrijecido pela noite fria da incerteza e da dúvida.

A confiança no Pai Oxalá, fará com que caminhemos resolutos para o futuro, em busca de nossos objetivos, cumprindo nossas tarefas e, a cada irmão de caminhada estendendo a mão, e doando-nos sem olhar a quem, para quem ou por quem.

Somente assim, diante das provas emergentes que nosso passado nos encaminha à restauração, através do abençoado cadinho da purificação moral, e no agasalho material do corpo, poderemos, como a fênix, ressurgir das cinzas do nosso passado tenebroso, reparando todo o mal que fizemos, e plantando, a cada dia seguinte, a cada instante futuro, a semente do amor ao próximo.

Sigamos em frente, amigos, lado a lado, e através da dedicada e valorosa e indispensável ajuda aos nossos irmãos de caminhada, estendamos-lhes as mãos, a fim de que, na ajuda prestada, também possamos nos ajudar ainda mais, resgatando, assim, nossos débitos pretéritos.

Que o abençoado mestre Oxalá, a todos permita, alçando-nos a novas paragens mentais de regeneração, sejamos mais úteis ao próximo que a nós mesmos, e que assim o fazendo, possamos compreender em definitivo, a grandeza da oportunidade que Dele estamos recebendo.

Muita paz,
Caboclo Ubirajara – Peito de Aço

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Bem… um dos motivos para que gostar tanto deste texto é justamente pela autoria. Conheci, há algum tempo, um falageiro da linha do Seu Caboclo Ubirajara… um dos caboclos mais largos e incrivelmente bravos, de uma doçura sem fim, que eu já vi. Ele tinha um jeitão bem troncudo mesmo, por vezes até meio bruto, áspero… mas era de uma delicadeza engraçada. Profundamente leal aos seus superiores. Imediatamente disponível para todo o tipo de demanda. E fazia das suas bençãos, uma verdadeira chuva de prata (que sim, eu já tive o privilégio de me  banhar)

Hoje, infelizmente, não contamos mais com sua presença “incorporável” em nossa casa, já que sua filha querida deixou de trabalhar lá. Mas as vezes, quando olho para o céu e vejo a Estrela Dalva, ainda me pego pensando nele. Tento fazer dela a minha guia, como ele. Para ver se ganho um pouco dessa presença valente que ele tinha. Agora, espero que Ele esteja “lá nas matas, lá nas grotas funda lá no fim de mundo”.

Okê, Caboclo!