outubro 28, 2012

Lições de um Boiadeiro

Posted in Aprendizado, Boiadeiros, Guias e Orixás, Mentores, Relatos e experiências tagged , às 1:42 am por carolyara

Uma das linhas que eu mais gosto, tanto quanto os pretinhos-velhos, é sem dúvida nenhuma a gira dos boiadeiros!! Certa vez, preocupada com a quantidade de atividades que eu tinha assumido e estava angustiada por achar que não daria conta, sem condições mesmo para desempenhá-las, eis que um querido boiadeiro me disse:

Quando os gados se esparramar, desgovernados, por entre o rebanho… toca o berrante, filha!

Naquele momento eu aprendia a lição da descentralização. Que tem horas que a gente precisa pedir ajuda, repartir tarefas, toca o berrante para conseguir ser acudida naquilo que sozinha eu não daria conta.

São com espíritos como esses que aprendo muito sobre a vida. E os sinto como os encarregados mais próximos de oxalá. Que desce quando a coisa tá no último segundo do aperto.

 

Pra quem não os conhecem bem…

Os Boiadeiros

São espíritos de vaqueiros, posseiros, capatazes, cangaceiros e até caboclos e espíritos afins. Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, por isso, aproveitam a oportunidade do trabalho como espíritos desencarnados, incorporados na Umbanda para galgar essas esferas de desenvolvimento espiritual, antes de uma nova reencarnação.

Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que dizem serem mais primitivos.  Portanto, podemos dizer que são espíritos que já conviveram em sua última encarnação com prática da magia na terra e o trato com aspectos naturais. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões por exemplo:  Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc…

 

Em sua maioria são meio rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Preto-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função, pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos). PS: Mas isso não impede que eles possam dar atendimento, consulta ou passes.

Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações, já que a presença desses espíritos muitas vezes interfere nas consultas de médiuns conscientes. Esses espíritos atendem a boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas.  São verdadeiros conselheiros e sua maior devoção é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele como um “filho”.

 

E nesse ponto eu queria compartilhar uma proteção intensa que recebo do boiadeiro com quem eu trabalho: SEU LAÇO!! Por razões muito íntima mesmo, particular, percebi que seus laços são verdadeiros círculos mágicos. Por onde o universo passa. Que podem ser o instrumento mesmo com o coro, mas podem ser uma corrente, uma guia, podem ser os laços que unem as pessoas, o fio da vida, que nos mantém vivo, até o cordão de prata, que liga o espírito ao corpo ou o cordão umbilical.

Graças a essa LINDA LINHA eu devoto e agradeço minha própria vida. Agradeço a vida do meu filho, que nasceu todo enrolado, com um nó real no cordão umbilical mas que era frouxo o suficiente para não interromper o fluxo de sangue, oxigênio e fluídos.

Benditos são os encarregados de Oxalá!!!!

 

 

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outubro 27, 2012

Manjericão

Posted in Encantaria Afro-brasileira, Ervas e banhos, Para defesa e proteção, Pretos-velhos, Recomendo, Relatos e experiências tagged às 2:12 am por daniloepiphanios

O primeiro banho de ervas que um guia, o Pai João da Mina, me sugeriu, foi de manjericão. Eram tempos difíceis para mim. Eu havia perdido uma pessoa muito querida e vinha sofrendo outros diversos golpes da vida. Além das conversas transcendentais que tivemos, repletas de conselhos, de avisos e de muita sensibilidade, Pai João me indicou o tal banho de manjericão, que deveria ser tomado às quartas-feiras.

Porque o manjericão?

O manjericão é originário da Índia, onde é venerado como a planta imbuída de essência divina; é consagrada a Krishna e a Vishnu – os dois são as divindades supremas no Hinduísmo, podendo ser facilmente sincretizados com Oxalá. Por isso, os indianos o utilizam nos juramentos em tribunal, assim como o colocam sobre o peito dos mortos para servir de passaporte ao Paraíso.

Na Antiga Creta ele era atribuído a Afrodite e simbolizava o amor banhado em lágrimas, o que encontramos ainda hoje na Itália, onde o manjericão é oferecido como prova de amor e fidelidade. Assim como no Haiti, onde a planta acompanha a deusa Erzulie, a deusa do amor.

O que se pode concluir é que o manjericão é a erva do amor, não apenas do amor romântico, mas do amor universal; do amor divino. O banho de manjericão, por isso, serva para purificar o corpo físico e o períspirito, afastando as trevas que envolvem o coração e abrindo caminho para a luz que as nossas orações tanto pedem. Abre caminho, assim, para a possiblidade de se refletir sobre os próprios sentimentos – já que a intromissão de energias trevosas foi dissipada.

Se funcionou para mim?

Muito. Mas não adianta achar que o banho de manjericão vai resolver todos os seus problemas. Ele é um instrumento que deve vir acompanhado de oração, muita reflexão e muita disposição em ser uma pessoa cada vez melhor.

outubro 26, 2012

De volta!!

Posted in apresentação, Mediunidade tagged , , às 9:48 pm por carolyara

Depois de  3 anos sem atualizações, cá estou de volta!
Com a promessa de retomar esse projeto, particular e íntimo.
Quando eu criei esse blog há uns 4 anos atrás a internet era outra.As redes sociais também… eu lia muita bobagem sobre nossa querida Umbanda.

E nessas, eu sentia falta de ter um canto sagrado, onde guardamos nossos aprendizados e tudo de bonito que vivemos com os guias; como um grande relicário. Afinal, eu sempre senti como uma tremenda honra ter sobre a terra essa forma de contato tão intenso e bonito que é a relação das pessoas com os guias e orixás.

Com isso em mente, o relicário de umbanda vinha para preencher essa lacuna minha, pessoal, de ter onde guardar e registrar um pouco desse convívio. E assim, comecei os textos, alguns auto-didáticos, outros mais depoimentos; mas todos com um único foco: o AMOR pela Umbanda e o AMOR que também mora no cerne da Umbanda. Como prova seu hino diz “A Umbanda é paz e amor / É um mundo cheio de luz”.

Bom, para isso, agora que tanta coisa mudou em 3 anos (eu casei, me mudei, agora tenho um pequeno filho etc.) convidei um irmão de fé para manter esse blog junto comigo. Alguém que já caminha, ao meu lado, a mesma sacralidade que sentimos pela Umbanda. Que, para mim, é um irmão de jornada. E, não obstante, sem puxa-saquismos, acaba me enchendo de orgulho por ser meu amigo e meu companheiro. Porque o admiro profundamente, não só por seu lado intelectua, mas por sua sensibilidade íntima, sua decência como ser humano.

Por suas próprias palavras: “Meu contato com a mediunidade – e com a Umbanda – remonta à minha infância. Conta minha mãe que eu, ainda pequeno, a acordava à noite com o barulho de conversas minhas com alguém no quarto. Ela entrava e me via sentado no chão, olhando para um ponto mais alto. Eu falava e dava o tempo de espera da resposta. Quando ela me perguntava com quem eu estava falando, eu respondia que era com o velhinho… não me lembro disso, mas sei que sempre tive a presença e a inesgotável amizade dos meus guias e mentores espirituais.

Na minha visão, o sagrado se manifesta em toda parte e em todo o tempo. E cada cultura a vê segundo a sua visão de mundo, o que não faz com que o sagrado seja, por isso, menos sagrado. Os antigos gregos percebiam a manifestação de um campo sagrado que se referia à justiça e a ela chamavam Zeus… assim como os egipcios a chamavam Mâat… nós a chamamos São Jerônimo, ou Xangô. As forças que nos protegem nos caminhos materiais e espirituais podem ser chamadas Hermes, ou Exu. E o grande campo de luz que representa a fé pode ser chamado Apolo, Jesus, ou Oxalá.

Não digo com isto que devemos sair cultuando Zeus e Apolo – pois, como é de conhecimento geral, “Umbanda é Religião e tem fundamento” – mas sim que percebo um sagrado atemporal e desespacializado. Percebo o culto aos Orixás como uma forma legítima de se vivenciar esse sagrado, cujo objetivo maior é a elevação espiritual daquele que tem fé, procurando refletir e praticar as mensagens recebidas de nossos amados guias e Orixás, e amparados pelo nosso mestre Jesus/Oxalá.

A minha intenção aqui é apenas compartilhar algumas de minhas reflexões, experiências e vivências do sagrado, sem dogmatismos, esperando que elas possam, de alguma forma, ajudar àqueles que também trilham essa senda maravilhosa chamada Umbanda, assim como aos que buscam, de alguma forma, vivenciar o sagrado em suas diversas manifestações.”

 

E  assim vamos juntos, Danilo e eu. Compartilhar desse caminhar aquilo que nos é tão caro e raro.
Esperamos que seja do agrado de todos. Abraços!!!

PS: Às pessos que ao longo desse ano fizeram comentários e que estão aqui para eu aprovar (quase 200), por favor, um pouco de paciência que, com o tempo, coloco tudo em ordem. Abraços!!!