07.03.09
Aruanda: minha terra prometida
Eu trabalho como filha de santo na Umbanda desde 2004.
Ano que vem eu completo 6 anos como médium coroada. E, nesse tempo todo, devo dizer que o sentimento que eu sempre trago de lá, quando os trabalhos termina, sempre tem sido o mesmo: plenitude e emoção!
E eu nem digo pelo templo, pelo método ou pelo tambor… mas por todo aquele fervor que o meu corpo exala quando o chão começa a vibrar na sola do meu pé, todo o batimento que dispara no meu coração. Todo a intensidade de entrega e carinho que devoto aos meus orixás quando os sinto se aproximar, colocando suas mãos pousadas sobre meus ombros.
A Umbanda para mim é solo sagrado. É minha areia branca das dunas do caribe com aquelas praias verde água de Fernando de Noronha. Não por ser o Caribe ou por Fernando de Noronha, mas pela vibração boa dos trópicos. Pela cor da areia fofa e a transparência da água fresca. HOJE, percebo que, às véspera de um importante e novo rito de passagem que está por vir, cada vez mais, essa consagração de mar e mato se firma sobre a minha coroa, com as bençãos do meu PAI OXALÁ!! Só ele mesmo para consagrar a lacuna que Ogum carinhosamente, me fez batalhar para conseguir, dia após dias. Ano após ano, ao longo desses período todo.
Estar na tenda onde eu trabalho, com minha roupa de santo e minhas guias, entre os meus irmãos de fé, na corrente de Aruanda, é como integrar um momento mágico. E perceber esse caminho até o dia de hoje é mais do que uma dádiva sagrada, é louvor bendito da minha alma amalgamada em cada um dos passos que eu percorri e ainda percorro em direção aos Orixás!!! De doação desprendida, de elevação moral, de fraternidade. Ser a que traz os guias e poder testemunhar suas manifestações sobre a Terra é quase como ser instrumento do amor de Deus. Que é tão grande e misericordioso que nos dá a chance de poder estar com as irradiações naturais de sua própria criação para nos fazer resgatar aquela centelha divina que em todos habita.
Assim… a cada atendimento prestado, a cada colo ofertado e a cada trabalho evocado… (dos singelos aos elaborados, dos coletivos aos reservados), posso dizer que ganho um pedacinho a mais de mim. Afinsal, toda saia que roda, todo couro de atabaque que vibra e toda fumaça que sobe dos pitos dos baianos são definitvamente votos de fé, compromissos de amor e, sobretudo, a grande magia sagrada de luz!
Por isso… Aruanda é minha terra prometida… onde os filhos de Oxalá se encontrarão em uma gira de muita alegria e festa para saudar a Humanidade! SARAVÁ!!!!
Legenda das imagens: Trabalho realizado em 21 de dezembro, no Santuário Nacional de Umbanda (primeira) e parte do altar montado em comemoração ao Centenário Nacional de Umbanda (segunda), comemorado em 15 de novembro de 2008.
O Ritual de Coroação na Umbanda
Esse tem sido tempos de preparação para a Coroação!
E sendo este um ritual tão bonito e fundamental na vida de qualquer filho de santo, não poderia deixar de falar dele…
A coroação é, sem dúvida nenhuma, uma demonstração de que o médium alcançou um nível aceitável em seu desenvolvimento, importante para um bom trabalho espiritual. Assim, o que o ritual representa é que depois de coroado o médium passa a ter uma responsabilidade ainda maior perante ao seu trabalho e os seus guias. Eu sei que o mais bonito é a consagração, a cerimônia. O exctase e o burbirinho é inevitável, ainda mais para os novos… mas a verdade, que pouca pessoa se lembra é: depois da coroação, o médium já está apto a servir de forma mais assentada as lições dos seus guias e protetores e, assim, seu compromisso de instrumentos dos orixás também se amplia.
Além disso, é graças a firmeza da coroação que o médium preparado pode participar de trabalhos mais pesados, como desmanchar macumba, desobsessões de espíritos raivosos, demandas, entre outros e pode ainda até ajudar no desenvolvimento de médiuns mais novos na casa. Ou seja, é um universo que não só é maior em termos de trabalho mas que, para nós filhos de santo, cresce proporcionalmente também o tipo de seriedade, cuidado e dedicação que temos ter com o que nos propomos a desenvolver.
Note que, até agora, eu não falei nada sobre a coroação e o vínculo com uma formação sacerdotal, por exemplo… porque para ser Babalorixá, Pai ou Mãe pequenos, ou qualquer outra hierarquia afim, cada casa tem seu mistério e seu rito específico. Uma coisa não confere a ninguém pré-requisito a outra, sob hipótese alguma. Trata-se apenas de um novo estágio que a pessoa alcança em sua evolução mediúnica. E, pessoalmente falando, para mim isso já é uma grande coisa!!!
Mas voltemos o rito em si!
No dia da coroação, a entidade mentora daquele médium confirma que é seu orixá de frente (normalmente ela já o fez antes da coroação). Cada casa tem seu protocolo nesse dia, mas basicamente, a consagração se dá justamente para esse momento de confirmação de coroa mediúnica, daí o nome do ritual. Em seguida, ela revela (de alguma forma, rs) a falange em que trabalha, ao trazer o caboclo protetor, responsável pelo desenvolvimento mediúnico do filho de santo. E claro, tudo acontece diante do mentor da casa que é quem atesta o ocorrido.
Depois disso, o mentor da casa, num ato simbólico, coloca uma coroa na cabeça do médium incorporado e todos os presentes saúdam a entidade. Assim, o médium coroado torna-se apto a participar dos trabalhos que exigem um maior conhecimento e principalmente um melhor entrelaçamento com suas entidades espirituais. Aí, sob um cântico apropriado para a ocasião, se consagrada todos os caboclos que estão em terra e que são simbolicamente coroados, junto com seus filhos de fé!! E que dançando e bradando, confirmam o novo degrau que a corrente inteira dos médiuns da casa alcançaram juntas, após este momento.
O mais importante é, neste momento, está na conscientização de cada médium da importância do que isso significa. E que ele não perder a jamais consciência de que a humildade deve prevalecer sobre qualquer etapa do seu desenvolvimento; já que, daquele coroação em diante, suas responsabilidades serão ainda maiores!!!
……………………….
Fonte de apoio: http://www.tendacaxana.com.br/index.php?cont=43&id=125
Edição: by Carol Yara.
Meus sinceros agradecimento ao Sandro da Costa Mattos, pelas belíssimas explicações!
Os ciganos e Santa Sara
Mês de MAIO foi o Mês de Santa Sara e de louvor ao meu querido povo cigano!
Lamento por não ter conseguido fazer os posts em suas épocas respectivas. MAS, por se tratar de uma corrente tão forte e tão intensa na minha vida, não poderia deixar de homenageá-la, mesmo assim. E, para tanto, resolvi começar minhas homenagens com o texto de um grande amigo, dono de uma linda linha cigana também, a qual eu dedico todo o meu carinho e meu respeito. Espero que gostem!
Já que, para mim, foi um imensa honra, sobretudo, um grande prazer receber os amigos em minha casa!
“Sara sara sara.
Minha santa padroeira é Santa Sara.”

Mês de maio é um dos meses dedicados a louvar essa nossa santa poderosa, protetora, Santa Sara. E é por agradecimento em ter saradas muitas feridas por intermédio dela que, aceitando convite especialíssimo da Carol, tentarei repartir um pouco do que vejo sobre ela e o povo que a louva, meu querido povo gitano.
Há muito mistério em torno da história de Santa Sara, mas a versão mais comum fala de uma mulher negra que, valendo-se de véus, salvou Maria e alguns apóstolos entre as ondas revoltosas da maré. Como alegoria, a maré, o barco, Maria e todas as ferramentas ciganas carregam muito significado.
Padroeira da gravidez problemática, Santa Sara protege também o nascimento em partos difíceis, daí envolverem em tecidos os pertences da mãe ou da criança que vai nascer e colocar nela o nome de Sara ou de um dos apóstolos envolvidos no episódio da barca. Colocar sobre as coisas da criança e da mãe um pedaço de tecido seria o mesmo que cobrir a delicadeza do nascer com outro ventre. Santa Sara aglutina várias referências à maternidade. Maria representaria, pela história, nós mesmos, homens e mulheres que carregamos no coração a possibilidade de salvar o mundo de seu sofrimento, navegando pela intempérie de viver num mundo turbulento, agitado, onde expiamos para crescer. E essa maneira de lidar com a dor tem no povo cigano sentido especial.
Enquanto os gregos falavam em musas que intuíam, assopravam o que o artista faria, fosse ele escultor, poeta, músico, para o povo cigano, especialmente aqueles de origem andaluz, não é disso que nasce a arte. Para eles, o artista verdadeiro é aquele que tem e luta contra seu duende.
Duende é palavra que carrega inúmeros significados entre a cultura cigana, mas, se tentarmos reduzir aqui para explicar, duende seria um profundo incômodo, quase subterrâneo com o qual o artista briga para fazer seu trabalho artístico. E, estando ele tomado por esse duende, o espectador não pode e nem consegue pensar em outra coisa que não seja sua performance. Traço típico da dança flamenca, por exemplo. Fazer arte, então é, mais que isso, viver, então, é produzir beleza através da própria dor, da dor de ser, da dor dos ancestrais.
O soar das castanholas é outro símbolo importante. As ciganas subiam nas mesas para tocá-las bem alto quando havia invasores entre a caravana querendo atacar seu povo de alguma forma. Seduzidos pela dança, pelo som, não percebiam a fuga sorrateira do povo que queriam maltratar. E a figura cigana carrega em si nossa capacidade de mudar, nosso habitar temporário no mundo e nas situações que vivemos e a passagem breve de todas as coisas, a fugacidade.
Se sou cigano, vejo que os amores, o sofrimento, a alegria, os sabores, os trabalhos, os desentendimentos, a vida e a morte levadas em volta da fogueira não duram mais que o crepitar da última lenha na lareira, daí realçar ou atenuar seu devido valor. Não estabelecer moradia fixa é a aprendizagem de lidar com a extrema instabilidade da vida. Mas os ciganos dançam, bebem, fazem orações e aproveitam, como ninguém, sorrindo, a festividade de cada momento que é único e jamais se repetirá. E é por isso que nós, aprendendo com eles, devemos em maio, sair em romaria louvando La Gitana (como a chamam os Rom, família cigana, em Campinas) cantando em roda, mãos dadas, para pedir que sejamos a liberdade e a força que a gente carrega.
João Pires
PS: Iconografia gentilmente cedida pelo autor, incluindo, a belíssima sugestão do vídeo abaixo… Optchá!
05.26.09
Adorei as Almas

Pretos-velhos na Umbanda
Para falar dos pretinhos-velhos é preciso resgatar uma lamentável época da história da nossa colonização: a escravidão dos negros africanos. As grandes Metrópoles (Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc.) subjulgavam suas colônias, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.
No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII. Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês. A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou-nos quatro séculos, do XV ao XIX, de exploração escancarada (entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas). Um contingente que constituiu uma parte considerável da população local.
Desse contexto, é importante perceber como seus cultos eram a forma dos escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, (e ainda é!) um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos representavam maneiras de aliviar a asfixia da escravidão.
Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir – mesmo de maneira precária – uma união representativa da língua, do culto aos Orixás e aos antepassados e, tornaram-se, assim, um elemento de referência para os mais novos. Quem refletia os velhos costumes da Mãe África. Assim, eles conseguiam preservar e até modificar, no sincretismo, parte importante de sua cultura e sua religião.
Hoje, pensar na corrente das alma – essa linha tão bendita que, humildemente celebramos no mês de Maio – é o mesmo que pensar nessas milhares de espíritos que desencarnaram, cada qual, em situações bastante adversa, mas que hoje voltaram para a prática da caridade e do aprimoramento moral e espiritual. Até porque, muitos eram os que morriam precocemente, daí a missão desses espíritos em dar continuidade em seus adiantamentos, por partirem quando suas missões ainda não estava totalmente cumprida.
Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. A legião de espíritos chamados “pretos-velhos” foi formada no Brasil, como parte integrante e fundamental do Culto aos Orixás.
Formação da Falange dos Pretos-Velhos na Umbanda
Depois de mortos, passaram a surgir em lugares adequados, principalmente para se manifestarem. Ao se incorporarem, trazem os Pretos-Velhos os sinais característicos das tribos a que pertenciam. O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos).
Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.
Com seus cachimbos, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem discorrer sobre conceitos como karma e resignação como ninguém
Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma. Assim como crianças, caboclos e outras Linhas de Umbanda. Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com aqueles que os vão procurar em busca de ajuda assim, com essa identidade e afinidade.
O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão.
Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.
Características:
-
- Linha e Irradiação: Todos os Pretos-Velhos vem na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente
- Fios de Contas (Guias): Muitos dos Pretos-Velhos Gostam de Guias com Contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda
- E um detalhe curioso: Essas cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os lugares.
- Roupas: Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.
- Bebida: Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).
- Dia da semana: Segunda-feira
- Planeta regente: Saturno
- Cor representativa: preto e branco;
- Saudação: “Adorei as Almas”
- Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.
- Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.
Qualidade dos Pretos-Velhos:
A linha é um todo, com suas características gerais, ditas acima, mas diferenças ocorrem porque os Pretos-Velhos são trabalhadores de orixás e trazem para sua forma de trabalho a essência da irradiação do Orixá para quem eles trabalham. Essas diferenças são evidenciadas na incorporação e também na maneira de trabalhar e especialidade deles. Para exemplificar, separaremos abaixo por Orixás:
Pretos-Velhos De Ogum: São mais rápidos na sua forma incorporativa e sem muita paciência com o médium e as vezes com outras pessoas que estão cambonando e até consulentes. São diretos na sua maneira de falar, não enfeitam muito suas mensagens, as vezes parece que estão brigando, para dar mesmo o efeito de “choque”, mais são no fundo extremamente bondosos tanto para com seu médium e para as outras pessoas. São especialistas em consultas encorajadoras, ou seja, encorajando e dando segurança para aqueles indecisos e “medrosos”. É fácil pensar nessa característica pois Ogum é um Orixá considerado corajoso.
Pretos-Velhos De Oxum: São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é “chocar” e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. As vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.
Pretos-Velhos De Xangô: Sua incorporação é rápida como as de Ogum. Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais. Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.
Pretos-Velhos De Iansã: São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas. Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá. Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual. Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.
Pretos-Velhos De Oxossi: São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas. Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo. Possuem uma especialidade: A de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc… São verdadeiros químicos em seus tocos. – Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior “químico” – Oxossi.
Pretos-Velhos De Nanã: São raros, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada. Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas a volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo. Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça. Costumam se afastar dos médiuns que consideram de “moral fraca”. Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada. É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta. São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função. Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.
Pretos-Velhos De Obaluaiê: São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral. Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros. Agarram-se a seus “filhos” com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar. Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento. Como trabalha para Obaluaiê, e este é o “dono das almas”, esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos. Sua “visão” é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual. Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos. Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.
Pretos-Velhos De Iemanjá: São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga. Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares. Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar. Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.
Pretos-Velhos De Oxalá: São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos. Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos. Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom corpontamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.
Fontes de pesquisa e estudo:
* Sabedoria de Preto Velho – Pinheiro, Robson
* Livro dos Espíritos – Allan Kardec
* http://www.akcm.org.br/pai-joaquim.htmhttp://www.aevb.org/
* http://br.geocities.com/monazitica/pretosvelhos2.html
* Escravidão no Brasil, suapesquisa.com.br
Lamento de Negro…

A ancestralidade na Umbanda
Sofri no eito,
sofri na senzala,
Quanta dô em meu peito!
Chorei, sofri,
Apanhei de todo jeito
De sofrer quase morri
Quanta dô em meu peito!
Suor, lágrimas, derramei,
De dor, de saudade, chorei,
Sob o sol, sob a chuva no eito.
Quanta dô em meu peito!
Veio a liberdade,
Ainda assim eu chorei,
De alegria é verdade.
A tristeza não deixei,
Negro assim, não tem jeito.
Quanta dô em meu peito!
Morto, ao mundo, voltei.
Ouço quixa e sofrimento
Em todos os terreiros.
Quanta dô em meu peito!
É o continuar do meu lamento!
(Decelso – Livro: O Rosário do Preto-velho)
Escolhi esse poeminha, porque ele traduz algumas coisas muito bacanas que aprendi com essa linha e, em especial, a Guia que acompanha as mulheres da minha família, desde antes de eu nascer: Vó Joaquina! O verdadeiro “Lamento de Negro” que essa corrente tão magnífica traz no bojo de sua energia não é aquele lamento que conhecemos. De mal dizer a vida, de distruibuir lamúrias infinitas. Essa é diferente… é uma lamentação que é forjada na luta, na resistência, na sobrevivência diária de nossas próprias ‘condenações’.
E não tem jeito. Todo mundo sofre, todo mundo chora, todo mundo sente muita dor no peito. Em algum momento da nossa vida, acho que temos esses momentos de padecer na pele, no couro e na carne o que é um açoite da vida. E o que é essa condição de escravos de nós mesmos.
Minha preta-velha diz que não baixa nos Ilês como Mãe Joaquinha, porque ao contrário de muitos escravos, ela morreu de velhice. Trabalhou como mucama em uma Casa Grande, dessas de Engenho Colonial, servindo a familia do “Sinhozinho” até 3ª geração. Fora os negrinhos da senzala que era sempre ela quem batizava. Dona de uma excelente cozinha, herdou da sua nação africana os conhecimentos de feituras, magia e mistérios. Ganhou sua liberdade já velinha… segundo ela depois dos 60 anos. E o engraçado é que, só depois de anos fui ligar isso com um fator histórico: ela, provavelmente, deve ter visto a abolição dos escravos. Deve ter sido daquelas escravas que trabalharam nas fazendas de café (já que minha família toda, por parte de mãe, descende de Minas Gerais). Por isso, ela de repente ela foi uma entre os muitos negros contemplados com a Lei do Sexagenário… uma passagem da História que – confesso – com 27 anos, eu já nem lembrava com tanta precisão assim.
Seja como for, nas palavras da própria Vó Joaquina, aquele foram tempos onde ela já era cativa da própria condição de vida dela. Ela ganhou a liberdade mas sua alma já era cativa. Ela ja não sabia mais viver sem estar ali, a cuidar da Casa Grande e, a noite, girar no gueto. E hoje, quando ela vê pessoas, cada vez mais, presas as suas próprias lamúrias, distante do Lamento de Negro, tudo o que mais vejo ela fazer é banhar seus assistidos em uma nova percepção dos seus dias, dos seus afazeres e do que elas andam fazendo com seus próprios Destinos, para que a repetição insana da escravidão cotidiana não as tornem cativas de suas próprias escoolhas. Seu trabalho vem sempre nessa linha de alforriar as pessoas, sempre que pode, para novos começos. Para o resgate do direito a ser livre, antes que a gaiola passe a coexistir entre as plumas de nossas asas. E assim, deixar que fique cada vez mais difícil o legítimo direito de ser livre para voar!
Que nesse último 13 de Maio… e ao longo de todos esses dias, até a próxima Festa de Pretos-velhos possamos refletir sobre isso. E retirar da experiência sábia vivida pelos pretos-velhos, um esteio onde aportar nossas próximas aspirações. Adorei as almas!!!
04.13.09
Como se defender das Urucas

Nossa Senhora da Defesa
Mal olhado, Quebrantes, energia pesada (ou carregada), maus espírito (de obssessores a zombeteiros) e afins… tudo isso, no meu linguajar de “dia-de-semana” eu custumo chamar de Urucubaca, ou somente Urucas. Que, segundo o Dicionário de Folclore Para Estudantes, seria:
URUCUBACA. Ou cafife, ou caiporismo, ou azar, ou sorte mesquinha, ou sorte torcida, ou má sorte, significa, como o próprio nome está dizendo, a falta de sorte no que a pessoa faz. A palavra urucubaca vem de urubu – ave de mau agouro e cumbaca, um peixe azarento que, se pescado estraga o dia do pescador.
Em todos os tempos, em todos os lugares, sob qualquer contexto social, estamos sempre suscetíveis a esses tipos de malefícios… uma vez que a própria maldade é inerente a condição humana. A questão aqui não é indagarmos por que ela existe e nem criar falsas esperanças que podemos sempre ficar ilesos delas, porque não é o caso. O grande lance, na Umbanda e em muitas tradições que se utilizam da manipulação de energia, magia, encantaria e pajelança como atributo é aprender a lidar com isso. Como se defender das Urucas…
Abaixo, listo então, o que eu chamo de “As 5 Receitas favoritas (e básicas!) de toda prática Umbandística”, hehehe:
1) Vela para o anjo de guarda
Todo mundo possuem deidades protetoras. Na Umbanda, humildemente as chamamos (não importa a crença ou particularidades) de “Anjos da Guarda”. Para que possam se manter cada vez mais presentes em nosso caminho, cotidianamente, irradiados em nossas condutas e gestos, é preciso que estejamos sempre em sintonia com suas energias. Para que as vibrações estejam compatíveis e, assim, Eles possam se afinizar e se aproximar. O ato simbólico de acender uma vela e proferir uma prece ao seu guardião é muito mais protetiva, do que efetiva, em termos de garantia de uma proteção e defesa; a medida que a vela sozinha, é só parafina. Não pode fazer muita coisa real, se acesa só por acender, sem mentalizações e preces intuidas. Agora, o momento em que se pára para dedicar aquela Luz aos Seres que são mais iluminados que nós, com o intuito de pedirmos suas aproximações, em defesa dos nossos passos e rumos; aí sim há projeção da mente plasmando boas irradiações e energia. E é exatamente esse resultado que almejamos, quando se recomenda uma vela para o anjo da guarda. Fazer o consulente se alinhar com a sintonia do seu protetor, para que sua presença energética-espiritual possa se fazer mais efetiva no dia-a-dia.
Assim, separar uma velinha branca, sobre um local alto, que fique acima da sua coroa medíunica (cabeça), para que ela se irradie de cima para baixo é logo a primeira atitude que nos ajuda a afastar qualquer tipo de mal.
2) Banho de Defesa e Proteção
O banho de Defesa eProteção tem como finalidade se utilizar das propriedades energéticas e fitoterápicas que cada planta tem, a serviço do reequilíbrio vibracional do próprio corpo perispiritual (camada que envolve o espírito na forma humana). Para tanto, pegue uma caneca com um copo ou um pouco mais de água, coloque as ervas de sua preferência, amasse bem até a água ficar verde. Peneire e após o banho de higiene (muito importante), complete com água quente, do próprio chuveiro, jogando o preparado da cabeça aos pés. Mas cuidado porque não é toda erva que pode ser jogada na cabeça. E ainda, para quem prefere ferver o conteúdo em fogo brando, no mesmo procedimento que o chá e/ou tem dúvida se pode usar esse tipo de erva na cabeça ou não, recomenda-se jogar a mistura do pescoço pra baixo. Apenas as misturas amassadas ou trituradas podem ser jogados na cabeça e corpo todo. Caso contrário, ferveu ou não se conhece exatamente as propriedades da planta, então preferir derramar do ombo aos pés.
Agora, tanto no momento do preparo quanto na lavagem do corpo, é fundamental que se mentalize coisas boas e bons fluidos de defesa e proteção, pedindo que as energias negativas não se aproximem. Algumas sugestões de ervas comuns: arruda, manjericão, guiné, benjoim, espada de são jorge, alfazema, alecrim, levante, salvia, tapete de Oxalá, abre demanda, louro, parreira, espada de santa bárbara, rosas, violetas e até essências.
3) Passe e Tratamento Espiritual
O passe e a consulta com o guia espiritual é o momento, sem dúvida nenhuma, de grande importânica na defesa das Urucas. De tempos em tempos, principalmente as vítimas de trabalhos feitos, precisam procurar um centro espírita ou uma tenda de Umbanda de sua confiança, para passar em avaliação. Funciona como em qualquer outras especialidade médica, contanto que essa é uma especialidade da vida espiritual. O guia se apresenta, faz algumas perguntas preliminares para estabelecer vínculos e, em seguida, dá-se o momento do passe. O passe nada mais é do que a manipulação e transferência de energias de radiação e cura para o envoltório espiritual, chamado tb de corpo perispiritual. Nesse momento, o guia se coloca como intermediário dessa transição, sendo especialista em trazer as vibrações do universo e das esferas de irradiação de energia cósmica, de onde trabalha sua linha e a coloca a disposição do corpo do assistido, com métodos de cura e reenergização dos centros de força e fluído.
Agora, é importante dizer: nãpo espere milagres das entidades… elas ajudam muito, aconselham, alertam e até intervem por nós, mas depende de cada um fazer sua parte em nome de sua reabilitação e cura. Eliminando maus hábitos, deixando vício e promovendo a prática contínua da reforma íntima e do aprimoramento moral.
4) Trabalho de desobsessão ou descarrego
São trabalhos necessários quando uma pessoa está acompanhada de espíritos sem luz, entidades que atrapalham e prejudicam o consulente. Que, na garnde maioria das vezes, se aproximam de nós por compatibilidade energética e afinidade vibratória. Se são espíritos zombeteiros, muito ligados a depreciação e o escárnio, certamente estarão cada vez mais familiarizados com que alimenta em suas condutas, atitudes compatíveis com a maledicência, o sarcasmo, a arrogância e a humilhação. Do mesmo modo, espíritos sofredores se conectarão com aqueles que se entregam a dor e ao sofrimento, se desiludindo da vida e da fé. A quem adotam posturas mais exclusivistas, egoistas, muito ligadas a vícios, que limitam suas perspectivas apenas a seus desejos e anseios… e ainda destinam suas atitudes a puras satisfações pessoais e emocionais, hedonistas, presas a saciação do aqui e agora, mimadas; imediatamente se afinizam com as energias de espíritos obssessores, vampirescos, que só olham para suas necessidades para satisfazer a necessidade da matéria.
E, uma vez estabalecidos os vínculos de conexão com o corpo perispiritual (pela zombaria, pelo sofrimento ou pela obsessão), na maioria das vezes não é possível despreender a ligação sem uma intervenção mais incisiva e direta, por meio do trabalho de descarrego ou desobsessão espiritual.
5) Amuletos e Patuás
Carregar amuletos, fazer patuás ou ter qualquer tipo de objeto-símbolo de proteção e defesa, também pode ser uma boa alternativa contra qualquer tipo de uruca. Mas atenção! Essas ferramentas são pessoais e intransferíveis. Portanto, só podem ser usadas e carregadas por uma pessoa: Você! Além disso, o mesmo amuleto ou patuá pode não dar o mesmo resultado a qualquer pessoa. Portanto, receitas sobre isso disponíveis na internet nunca trazem a mesma disposição às recomendadas direto da boca dos Guias ou Orixás. Pois tratam-se de poderosos veículos de comunicação com o plano astral. Não pode ser qualquer coisa e nem mesmo feitas de qualquer jeito. É preciso imantação e/ou confecção com fundamento.
E algumas distinção: AMULETO é é um objeto pequeno, comumente levado no pescoço ou na roupa, ao qual se atribuem virtudes mágicas; com finalidade defensiva, ouseja, protege seu portador das influências maléficas e das cargas negativas. No Brasil, os mais populares são a figa, a pata de coelho e o trevo de quatro folhas. Já o TALISMÃ ésão um ou mais objetos reunidos com finalidades protetora, ou seja, geralmente têm propriedades mais ativos, porque servem para atrair determinadas energias ou capacidade. Um exemplo famoso seria a lâmpada de Aladim, que era capaz de conferir ao seu possuidor o direito de realização de 3 desejos. Já o PATUÁ, é um produto da fé. Ele exige a confecção de uma determinada encantaria, ou seja, feitiçaria que reunidas dentro de uma almofada, saquinho ou compartimento minúsculo e/ou isolado, seja possível elaborar um trabalho de compactação de diversas energias, dentro daquele produto. Imantado e produzido exatamente para sintetizar uma série de propriedades magística, com finalidades tanto protetoras como defensora, dependendo do fundamento e do elemento de cada caso.
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Há ainda algumas mandingas e mirongas que a gente aprende também, com anos de trabalho e relação com os Guias e Orixás. Tanto para os locais de trabalho, quanto para casa e dormitórios. Além de pequenas medidas de defesa e proteção que podem ser incorporadas no dia-a-dia. Mas essas são mais ligadas a Magia Natural de Umbanda e eu prefiro deixar para um próximo post, modo avançado, em caso de Urucas e até, trabalhos mandados. Até lá… cuidado, persistência e dedicação, regado com fé e coração puro, pensamentos elevados e alma sincera já estão de bom tamanho para lidar com esse tipo de coisa.
Assim, como a melhor defesa espiritual ainda é o poder da irradiação mental e pessoal, abaixo, selecionei duas orações bacanas, para servir de referência, no exercício diário de vigilância íntima e elevação da mente, contra qualquer tipo de negatividade e uruca!
ORAÇÃO CONTRA MAU OLHADO
Leva o que trouxestes; Deus me benze com sua santíssima cruz. Deus me defende dos maus olhos e de todos os males que me quiserem fazer. Tu és o ferro, eu sou o aço. Tu és o Demônio, eu o embaraço. Assim Seja!
PRECE PARA AFASTAR MAUS ESPÍRITOS
Em nome de Deus Todo Poderoso, que os maus espíritos se afastem de nós e que os bons nos sirvam de proteção contra eles. Espíritos malfeitores que inspirais aos homens maus pensamentos; Espíritos impostores e mentirosos que os enganais; Espíritos zombeteiros que vos divertis com a sua credulidade, nós vos repelimos com todas as forças de nossas almas e não atendemos às vossas sugestões, mas imploramos para vós a misericórdia de Deus. Bons espíritos que vos designais assistir-nos, dai-nos a força de resistir à influência dos maus espíritos e a luz necessária para não nos tornarmos vítimas dos seus embustes. Preservai-nos do orgulho e da presunção; afastai dos nossos corações o ciúme, o ódio, a maledicência e todos os sentimentos contrários à caridade, que constituem o atrativo dos Espíritos do mal.
Espero que gostem…
=D
Momento de Oração
A prece é um instrumento muito bendito criado como comunicação espiritual. Ela não é apenas uma importante parte da liturgia de qualquer doutrina ou religião, mas a tenha também como um momento de pura expressão da Fé. E, portanto, como tal, não exige complexidade ou grandes extensões em versos… porque o mais vale nessas horas é a nossa condição de sentir o que cada palavras pode estabelecer em termos de canal energético e astral.
Na Umbanda, assim como em muitos outros cultos por ai, a oração também pode servir como fonte de estudo e oração. Saber o que se falam para cada Guia e Orixá, em momentos de rezas e dedicações também são excelentes formas de conhecer um pouco mais sobre cada um. Características, conceitos, atribuições.
Foi pensando nisso que resolvi fazer este apanhado de Oração. Primeiro para registrar um incentivo e um destaque ao valor da prece. Para que mais pessoas possam se utilizar dela em seua dia a dia. Segundo porque aprendi muito com as rezas feitas por outras pessoas, em livros ou em sessões, justamente por carregarem um dos principais preceitos da nossa querida Umbanda: o fundamento. NADA, em Umbanda Sagrada é escolhido de forma aleatória ou sem a devida propriedade. O mesmo, então, acontece com as orações. Lê-las e compreendê-las, deixar-nos tocar por seus apelos e emoções, a medida que os olhos percorrem, distraidamente, suas vistas sobre cada um dos seguintes versos, é -sem dúvida nenuma – um modo muito bonito de sentirmos um pouco mais das vibrações que se alcança dentro da Teogonia Sagrada dos Orixás!
PRECE A OXALÁ
Nosso Pai Bondoso e Misericordioso. Babá Okê, cacubeká… Meu Pai das Colinas, olhai por nós. Assim como criastes todos os Orixás, Oxalá-Lufã, Oxalá-Guiã, Deus eterno e criador do Universo Celeste. Dai-nos a vossa bênção. Ó Divino Mestre, deixai-nos apoiar em vosso cajado de esperança. Alá, Babá, Orun… Alá, Orixá… Para que vosso Manto Sagrado possa proteger-nos com vossas bênçãos e benevolências. Orixá Babá… Olorun Ifé… Exê Eú pá Babá… Axé Babá!
PRECE À IEMANJÁ
Poderosa força das águas. Inaê, Janaína, Sereia do Mar. Saravá minha Mãe Iemanjá! Leva para as profundezas do teu mar sagrado. Odoiá… Todas as minhas desventuras e infortúnios. Traz do teu mar todas as forças espirituais para alento de nossas necessidades. Paz, esperança, Odofiabá… Saravá, minha Mãe Iemanjá! Odofiabá…
PRECE A XANGÔ
Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dos incautos. Protetor da fé e da harmonia. Kaô Cabecile do Trovão. Kaô Cabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai Xangô. Morador no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de todos os males. De todos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô meu Pai.
PRECE À IANSÃ
Oiá… Oiá… nossos passos. Iansã, Deusa máxima do Cacurucaia… Bamburucena, Rainha, Mãe e Protetora. Eparrei nossa mãe Divina. Deusa divina dos ventos e das tempestades. Deixa-nos sentir também a tua bonança. Iansã dos relâmpagos, dá-nos uma faísca da tua graça divina. Eparrei, Eparrei… Oiá!
PRECE A OGUM
Orixá, protetor, Deus das lutas por um ideal. Abençoai-me, dai-me forças, fé e esperança. Senhor Ogum, Deus das guerras e das demandas, livrai-me dos empecilhos e dos meus inimigos. Abençoai-me neste instante e sempre para que as forças do mal não me atinjam. Ogum Iê, Cavaleiro Andante dos caminhos que percorremos. Patacori… Ogum Iê… Ogum meu Pai, vencedor de demandas… Ogum Saravá Ogum… E que assim seja!
PRECE A OXOSSI
Okê… Okê Cavaleiro de Aruanda! Okê… Rei dos Caboclos e das Matas! Senhor Oxossi, que as suas matas possas estar repletas de Paz, Harmonia e Bem-Aventurança. Meu Pai Oxossi, Rei dos Caçadores, não permita que eu me torne uma presa dos malefícios nem dos meus inimigos. Okê, Okê, meu Pai Oxossi! Rei das Matas de Aruanda. Okê Arô!
PRECE À OXUM
Canto sereno que assobia, nos regatos lagos e cachoeiras. Senhora faceira de beleza e ternura. Protetora das crianças e de todos os que necessitam de tua graça. Mamãe Oxum, Deusa formosa dos rios. A Mãe das Águas Doces, acolhe-nos em teu seio, proporciona-nos paz e alegria. Saravá Mamãe Oxum! Ora Iê Ie!
PRECE A OBALUAIÊ-OMULU
Dominador das epidemias. De todas as doenças e da peste. Omulu, Senhor da Terra. Obaluaiê, meu Pai Eterno. Dai-nos saúde para a nossa mente, dai-nos saúde para nosso corpo. Refoçai e revigorai nossos espíritos para que possamos enfrentar todos os males e infortúnios da matéria. Atotô meu Obaluaiê! Atotô meu Velho Pai! Atotô Rei da Terra! Atotô Babá!
PRECE À NANÃ BURUQUÊ
Mãe protetora de todos nós. Senhora das águas opulentas. Deusa das chuvas benévolas. Deixa cair sobre nós a chuva divina da tua bondade fecunda e infinita. Salubá Nanã Buruquê! Purifica com tuas forças nossa atmosfera para que possamos ser envolvidos pelos teus olhos maravilhosos. Salubá Nanã Buruquê! Salubá!
PRECE AOS PRETO VELHOS
Meus benditos Pretos e Pretas Velha. Meus Santos, guias e espíritos protetores. Mestres divinos da Linha das Almas.. Abençoai esta casa e os meus passos. Aplacai as forças dos nossos inimigos. Meus queridos Pretos Velhos, que a sua candura e bondade recaia sobre nó como o véu do divino amor. Meus Pretos Velhos, dai-nos a fé, a esperança e a felicidade. Eu adorei as Almas! Saravá, meus Pretos Velhos!
PRECE AOS CABOCLOS
Do sabiá, ao primeiro trinado,
Ergue-se o homem, ainda cansado,
Do sono dormido e que não descansou.
Caminha até a porta, com muito vagar,
E olhando o infinito, se põe a rezar,
A oração do caboclo (dizer o nome do caboclo)
Que a terra ensinou.
Do sol que renasce, o primeiro clarão,
Clareia o caboclo, que de pé no chão,
Vai outra batalha, sozinho enfrentar.
E assim o caboclo, na luta sem fim,
Caminha ao perfume da flor de jasmim,
Rezando a oração que a terra ensinou.
04.12.09
Zé Pilintra e Família (Malandros na Umbanda)
Seu Zé Pelintra, assim como outros guias que trabalham no Catimbó, trabalha também na umbanda.

Na medida em que o Catimbó entra na área urbana, território típico da Umbanda, ou mesmo a Umbanda vai para o interior estas duas práticas tem que se encontrar. É neste momento que certamente Zé Pelintra entra para o Catimbó.Isto certamente ocorre nos centros onde pessoas de Umbanda também trabalham com mestres e provavelmente já eram de Umbanda e absorvem o Catimbó em um movimento muito típico da Umbanda que absorve várias Religiões e Culturas.
No Catimbó ele é Mestre, e por ser uma entidade diferente das que são cultuadas na Umbanda, ele não trabalha numa linha específica, porém, sua participação mais ativa seria na gira de baianos e, em alguns casos, na linha da esquerda, como exú. Sua principal marca é ser um espírito “boêmio”, “malandro” e brincalhão e, mesmo assim, trabalha com muita responsabilidade. Seu Zé cobra muito de seus médiuns, cobra por seriedade, entrega, disciplina, dentre outras virtudes.
Na direita ele vem na linha de baianos, fuma cigarro, bebe batida de coco ou simplesmente cachaça. É representado por uma tradicional vestimenta (calça branca, sapato branco, terno branco, gravata vermelha e chapéu branco com uma fita vermelha).

CARACTERÍSTICAS MARCANTES
A primeira é ser muito brincalhão, gostar muito de dançar, de mulheres e de bebida. Mas é muito comum, também, encontrá-lo mais sério, parado em um canto, assim como sua imagem gosta de representá-lo olhando para o movimento ao seu redor. Contudo, quando ele vira para a esquerda, ele pode vir trajado de um terno preto, calças e sapatos também pretos, gravata vermelha e uma cartola,fumando charutos, bebendo conhaque e uísque, até – em alguns casos – usa uma capa preta. Mas seja do lado que for, você sempre verá um Zé Pilintra coms eu pito (cigarros ou cigarrilhas), um uma bebidinha nas mãos, sempre muito brincalhão e extrovertido.
REPRESENTAÇÃO E ORIGENS
Personagem bastante conhecido seja por freqüentadores das religiões onde atua como entidade, por sua notável malandragem, Seu Zé tem sua imagem reconhecida como um ícone, um representante, o verdadeiro estereótipo do malandro, ou porque não dizer, da malandragem brasileira e mais especificamente, carioca. Trata-se de uma corrente que, de uma forma ou de outra, permeia o imaginário popular da cultura brasileira e, portanto, carrega suas egrégoras tanto como outras.
Um do seu maior destaque está justamente no fato do Seu Zé ter uma tremenda elegância e competência, mesmo sendo negro (levando em consideração que, para a época em que os negros e brancos viviam praticamente isolados, apesar da existência de uma numerosa população mestiça nas grandes cidades brasileiras, e que desse abismo social implicava também uma grande divisão financeira de classe social). É como se a figura do Seu Zé torna-se representativa da própria dignidade do negro, deixando para trás a idéia de um negro “arrasta-pé”, maltrapilho ou simples trabalhador braçal.
Em sua origem, Seu Zé torna-se famoso primeiramente no Nordeste… Primeiro como freqüentador dos catimbós e, depois como entidade dessa religião. Vale destacar aqui que o Catimbó está inserido no quadro das religiões populares do Norte e Nordeste e traz consigo a relação com a pajelança indígena e os candomblés de caboclo muito difundidos na Bahia.
Conta-se que ainda jovem era um caboclo violento que brigava por qualquer coisa mesmo sem ter razão. Sua fama de “erveiro” vem também do Nordeste. Seria capaz de receitar chás medicinais para a cura de qualquer mal, benzer e quebrar feitiços dos seus consulentes. De acordo com Ligiéro (2004), Seu Zé migra para o Rio de janeiro onde se torna nas primeiras três décadas do século XX um famoso malandro na zona boêmia carioca, a região da Lapa, Estácio, Gamboa e zona portuária. Segundo relatos históricos Seu Zé era grande jogador, amante das prostitutas e inveterado boêmio.

Contudo, há outra história que conta que Seu Zé teria nascido no povoado de Bodocó, sertão pernambucano próximo a cidadezinha que leva o nome de Exu, à qual segundo o próprio Zé Pilintra quando manifestado numa mesa de catimbó, foi batizada com este nome em sua homenagem, já que sua família era daquela região antes mesmo de se tornar cidade. Fugindo da terrível seca de meados do século passado que abatia todo o sertão, a família do então “José dos Santos” rumou para a Capital Recife em busca de uma vida melhor, mas o destino lhe pregou uma preça que culminou com a morte da mãe, antes mesmo que o menino Zé completasse 3 anos. Logo em seguida, morreria seu pai de tuberculose.
José então ficou orfão e teve que enfrentar o mundo juntamente com seus sete irmãos menores. Cresceu no meio da malandragem, dormindo no cais do porto e sendo menino de recados de prostitutas. Sua estatura alta e forte granjeou-lhe respeito no meio da malandragem. Conta-se que, certa vez, Zezinho, como também era conhecido, teve que enfrentar cinco policiais numa briga no cabará da Jovelina, no bairro de Casa Amarela. Um dos soldados recebeu um corte de peixeira no rosto que decepou-lhe o nariz e parte da boca. Doze tiros foram disparados contra Zezinho, mas nenhum deles o atingiu. Diziam que ele tinha o corpo fechado. Antes que chegassem reforços, Zezinho já tinha fugido ileso, indo se esconder na casa do coronel Laranjeira, um poderoso usineiro pernambucano, protetor do rapazote e família. Em decorrência deste episódio, Zezinho ganhou o apelido de Zé Pilintra Valentão, nome esse dado pelos próprios soldados da polícia pernambucana. Pilintra significa pilantra, malandro, janota etc. Assim, entre trancos e barrancos, Seu Zé consegue fazer fama na cidade de Recife e criar seus irmãos até a maior idade.
Quanto a sua morte, autores descordam sobre como esta teria acontecido. Afirma-se que ele poderia ter sido assassinado por uma mulher, um antigo desafeto, ou por outro malandro igualmente perigoso. Porém, o consenso entre todas essas hipóteses é de que fora atacado pelas costas, uma vez que pela frente, afirmam, o homem era imbatível.
Para Zé Pelintra a morte representou “um momento de transição e de continuidade”, afirma Ligiéro, e passa a ser assim, incorporado à Umbanda e ao Catimbó. Todavia, a principal história que seu Zé Pelintra quer escrever, é a da caridade, tanto aquela que ele dedicou aos seus entes queridos e pares de sangue, como também àqueles em que deveu um auxílio e apoio mútuo quando em vida. É assim que seu Zé Pelintra, hoje ao lado do espírito dos seus irmãos e irmãs em vida, formaram uma bela Falange de malandros de luz, que vêm ajudar aqueles que necessitam.
FAMÍLIA PILINTRA
Além do Zé Pilintra, há espíritos mentores, como ele, também conhecidos como Antônio Pilintra, Maria Pilintra, João Pilintra, Joana Pilintra, Mané Pilintra e Rosa Pilintra. Mas ainda, há suas qualidades de Zé Pilintras viradas na esquerda, que ganham atributos específicos da vida do Seu Zé, como Seu Zé Malandrinho, Seu Malandro, Malandro das Almas, Zé da Brilhantina, Malandro da Madrugada, Zé Malandro, Zé Pretinho, Zé da Navalha, Zé do Morro, e por aí vai. Só vale ressaltar que os Malandros não são exus, embora venham na Linha de Esquerda. Ao contrário dos Exus que estão nas encruzilhadas, encontramos os malandros em bares, subidas de morros, festas e muito mais.
Aqui, gostaria de fazer uma especial contribuição sobre uma Guia, muuuuuito importante na minha vida mediúnica. A baiana que eu trabalho desde o meu primeiro dia de Filha de Santo, na Umbanda, Sra. JOANA PILINTRA! Trabalho com ela há 5 anos e desde então, aprendi muito com suas histórias. Em vida, foi mãe de 3 filhos. Trabalhou nas louvas de Milho enquanto o marido foi tentar a sorte no ciclo da borracha, nos seringais. Ela sempre se intitula devota de Nossa Senhora da Glória. Solitária mas muito bonachona, penso na Joana quando penso naquelas mulheres de avental, saia, blusa de campanha e lenço na cabeça. Mulher da Lida!! Mão calejada do trabalho da roça e de casa. Mas, a noite, depois do banho, era Senhora Vaidosa. Sempre em seus vestidos de tecidos muito simples mas rendeiros, Joana só se dedicava, ora aos filhos, ora a comunidade. ‘Rezedeira’, como ela mesma diz, era daquelas que conhecia todo mundo, que era chamada pra ir na casa de todo mundo, mas particularmente na dela, ela não gostava de receber. Dona de uma generosidade sem fim, ao mesmo tempo que ela pode ser carinhosa e cuidadosa, também já a vi dura e rígida. Como mãe que dá a palmatória certa nas horas que tem que dar. Sua fala é comprida… adora uma boa prosa. Mas quando dá pra falar curto e grosso… hummm. Segura! A língua fica maior do que a boca.
Acho que aprendi com ela e com a Família Pilintra esse lado, ri para resistir!!
Dançar, beber e brincar, sem abusar. Porque a vida não é feita só de excessos… é também senhora da moderação. Com eles, percebi quanto dessa luta e dessa gana sou capaz de reinventar, todos os dias, para eu mesma suportar as peripécias que esse mundo dá. E, ao mesmo tempo, fazer da aflição do outro, um motivo de se motivar e prosseguir, como quem trilha sua própria tristeza e avança. Porque vê no outro e projeta na caridade e generosidade alheia a mesma dedicação e o mesmo esforço que tanto precisa ter e desenvolver na vida para dignar a si mesma.
TIRA TEIMA:
- Comida: carne seca com farofa ou escondidinho de macaxera, que é o mesmo que mandioca. (Na esquerda, acrescentar pimenta vermelha)
- Bebida: Cerveja branca bem gelada
- Locais de vibração: Subida de Morros, Cemitérios, bares, zonas portuárias, áreas boêmias
- Cor: Vermelho e Branco ou Preto e Branco, ou ainda somente o Preto
Salve seu Zé Pilintra!
Saravá a Família Pilintra!!
Salve a corrente dos Malandros! !!
FONTES DE PESQUISA
http://www.imagick.org.br/zbolemail/Bo08×07/BE07×08.html
http://www.zepelintra.com.br/
http://povodearuanda.blogspot.com/2006/12/z-pelintra.html
http://www.terreirodeyansa.hpg.ig.com.br/zepelintra.htm
http://www.povodesanto.com.br/catimbo/My_Homepage_Files/Page66.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pelintra
Aruanda Sagrada

“Caboclo pegue a sua flecha, pegue o seu bodoque, que o galo já canto.
O galo já cantou na Aruanda, e Oxalá te chama para sua banda, auê caboclo”.
“Se meu Pai é Ogum, vencedor de demandas ele vêm de Aruanda pra salvar filhos de Umbanda”.
Quem aqui que acessa este blog não se lembra de uma novela de enorme sucesso na Rede Globo chamada A Viagem? Escrita por Ivani Ribeiro, com colaboração de Solange Castro e direção de Wolf Maya, que teve como base de inspiração para a trama, o livro Nosso Lar… Obra psicografada pelo famoso médium Chico Xavier, ditado pelo espírito André Luiz.
Nessa novela, conhecemos e aprendemos um conceito muito importante às Doutrinas Espíritas (fundamentadas ou não por Allan Kardec), chamo de: Colônia Espiritual. Nosso Lar é o nome de uma região do mundo espiritual, para onde são levados alguns espíritos desencarnados, segundo sua determinada evolução. Lá, há formas de organização dessas colônias espirituais, com construções de trabalho (como casas de repouso para os recém desencarnados), sistema de transporte perispiritual e até verdadeiros Ministérios de Trabalhos.
Com base nesse conceito, podemos começar a entender também, o que é Aruanda!
Aruanda pode ser considerada uma enorme cidade de luz etéria que orbita a estratosfera da TERRA, similar a cidades nórdica de ASGARD. Diferente de uma colonial espiritual (mas, ao mesmo tempo, similar) ARUANDA se configura da mesma forma na órbita da Terra há milhares de anos e também representa um ponto como se fosse um Portal de acesso para o nosso plano. De lá, diversos Guias de Luz e Irmãos da Espiritualidade desenvolvem suas atividades de ajuda a humanidade e a biosfera de uma forma geral.
Como uma “Morada dos Orixás”. Mas aqui é importante dizer que é uma morada dos GUIAS que trabalham na irradiação e na linha de energia e vibração dos Orixás, já que o conceito de orixá não pode ser reduzido ao conceito de um espírito. Mas os Guias podem. Os Guias de Umbanda são espíritos que já existiram sobre a terra, como qualquer outro ancestral em evolução. Os que ainda tem um grande serviço a prestar a humanidade e que escolheram o caminho de Umbanda Sagrada (como espíritos de caboclos, pretos-velhos, crianças marginalizadas da sociedade brasileiro do início do séc XVIII, que mesmo após o desencarne, também sofreram um outro tipo de preconceito e discriminação, que é justamente a recriminação espiritual; tão bárbaro e dantesco quanto o material) para isso, são espíritos que tem suas moradas em cidades como Aruanda, que tem a função de dar sustentação a esses irmãos que já estão dentro da luz, mas que ainda precisam terminar seus compromissos de evolução sagrada, pelos caminhos do Culto aos Orixás.
ARUANDA representa o foco direto dos trabalhadores que interagem em todos os planos da Terra, desde o foco humano ate o reino mineral, através de seres que já encarnaram na Terra e tem uma missão de resgate para com a mesma. A atuação de Aruanda possui um ponto de comunicação, que é o foco de interface com os Orixás que estão ligados ao Pai Maior.
Assim, é possível dizer que hoje, Aruanda possui uma população média de 7 milhões de Irmãos Espirituais , que estão a serviço da libertação e ajuda a humanidade e aos seres que ainda estão presos no Umbral e nos planos intraterrenos, mas que por caminhos espíritas tradicionais, tão somente, ainda não conseguem nem um acesso a suas faixas de vibração inferior, nem uma abordagem tão direta e efetiva de contato com o plano material.
E, para isso, esses 7 milhões de irmãos que lá estão acabam atuando em diferentes áreas da Terra, que aqui, irá se manifestar dentro de muitas linhas de Umbanda. Para, assim, conseguirem se comunicar com a nossa civilização. A mais conhecida é através do processo mediúnico, onde entidades supostamente desencarnadas estão ajudando as pessoas dentro do espiritismo e espiritualismo, por intermédio da incorporação.
Portanto, podemos entender Aruanda como um local de paz e de trabalho em prol da espiritualidade, comprometidos com as hierarquias de amor e de luz do Pai Maior.
E desta forma, como cada cidade de certa forma tem uma relação com setores específicos da Terra e com suas culturas, Aruanda, por exemplo, estabelece sua ligação com as antigas culturas ancestrais. Assim os povos que passaram a cultuar o espiritualismo, como no Brasil e na África, passaram a ter contato com os irmãos dessa Cidade, que representa um portal de comunicação com o astral, da mesma forma que outras culturas fizeram de acordo com suas bases religiosas. Daí a enorme propensão da base religiosa de Umbanda Sagrada ser alicerçada na Miscigenação e nas variadas expressões culturais.
Cada Irmão Espiritual que se manifesta com a humanidade, proveniente dessas Cidades, um total de aproximadamente 33 cidades, é na verdade um enviado da Luz, que dentro de seu plano emocional e intelectual, está despertando para uma nova realidade e através da ajuda de resgate, que oferece a nós aqui na Terra, acaba também por se despertar.
Por esse motivo os seres que se incorporam normalmente não falam muito dessas cidades, pois são proibidos de entrar sobre o tema que a maior parte da comunidade Espírita e/ou Espiritualista ainda não aceitaria, ou não entenderia, em termos de organização e funcionamento.
Eu, por exemplo, trabalho com o Caboclo Pena Branca… que é tido como uma das entidades que estão no alto comando da cidade de Aruanda. E com ele aprendi que para autorizar ou não um ser humano encarnado ter acesso a essas cidades, o que vai limitar isso, é na verdade o grau de consciência dessa pessoa. Portanto a chave, mais uma vez, está no coração de cada um de nós, o que nós somos realmente, o que fazemos em nossas experiências de evolução moral e espiritual; pois, o cartão de visitas é a nossa emanação de luz e de amor.
Outro lado:
O termo Aruanda também designado a vibração energética de determinada falange espiritual do grupamento de espíritos que operam na Umbanda. E, por isso, tratar-se-ia de um nome de origem nos povos da África.
Assim, há quem acredita que a utilização deste nome pelos espíritos trabalhadores da Umbanda não quer dizer que, na verdade, exista uma “Aruanda espiritual” realmente, ma sim uma corrente de vibração espiritual a que se pertence àqueles espíritos. Exemplo: Pai Benedito de Aruanda. Designar desta forma significaria dizer que o Guia trabalha com a energia da falange espiritual que opera com o padrão vibratório de “Aruanda” e da falange umbandista conhecida como Pai Benedito, que possui características diferentes de, por exemplo, uma conhecida como Pai Joaquim.
Seja como for, na prática, acredito que não haja divergência entre ambas as perspectivas, uma vez que toda colônia espiritual está localizada, segundo a decodificação kardecista, em uma faixa de padrão vibratório. Portanto, vinda de uma colônia ou não, a Energia de Aruanda é única, ela tange as mais fortes esferas divinas, de onde vem a irradiação dos Orixás
Fontes pesquisadas:
- Blog Povo de Aruanda
- Rodrigo Romo
- Site: http://www.meeu.org/
- Livro: Aruanda (Robson Pinheiro)
- Evangelho Segundo o Espiritismo
- Wikipedia
03.18.09
Visão dos Orixás
[Mais um texto da série "os mais populares da internet"; porém, muito didático para conhecer um pouco dos Orixás! Além de ser também umd os meus favoritos, porque foi exatamente assim que eu fui tocada pela Umbanda...]
Numa praia deserta caminhava um filho de fé…
Atormentado por suas mágoas e provações, buscava por um alento um consolo.

Buscava forças e um sinal de esperança, para poder continuar lutando… Olhava fixamente para as águas do mar, as ondas se quebrando, vindo do horizonte aos seus pés se esparramar… Uma lágrima entristecida cobriu-lhe a face, seu coração apunhalado pelas intrigas e maldades dos seus irmãos, já se tornava insuportável…
“Então”…
Quando percebeu, já estava distante, foi quando notou que já estava entardecendo…
O vento soprou em seu rosto e veio a sua intuição.
A Senhora dos Ventos, Mãe Iansã, e a saudou com alegria e sentiu suas magoas serem levadas pelo vento, a paz começou a renascer…

Olhou para o poente e viu no céu as nuvens avermelhadas, então com grande força saudou o Senhor das Demandas, seu Pai Ogum, e aos poucos o peso que lhe afligia se quebrava, e continuou caminhando…

Observou na beira das águas doce que desembocavam no mar, peixinho dourado a cintilar, foi então que seu coração se encheu de doçura e saudou Mamãe Oxum, que o abençoava com seu sagrado e divino manto…

Aos poucos, leves gotas de chuva tocaram a sua pele e a paz de espírito e o amparo que sentiu ao pisar na lama da areia misturada com água da chuva, que o fez lembrar-se de Nanã Buruque, com sua lama sagrada, aliviou por completo suas dores causadas pelos tormentos materiais e espirituais, e a saudou com grande festividade…

Perdido em seus pensamentos o filho de fé, caminhava fascinado, quando de repente a brisa tocou seus cabelos e junto com elas trouxe folhas da mata distantes. Sem hesitar saudou Pai Oxossi, e pediu em sua mente que aquelas folhas lhe purificassem e o livrassem de todos os sentimentos impuros.

Sua concentração foi interrompida ao ver um raio iluminar o céu, e ouviu um alto estrondo de raio e trovão a explodir nas pedreias… Logo lhe encheu o peito de coragem. “Kaô Kabecilê”, e sentiu a mão forte do seu pai Xangô, então confiante, não mais sofria pelas injustiças, pois seu pai lhe protegia…

Então admirado, sentou-se à beira mar, olhou para o céu e viu uma constelação, e lembrou-se das almas benditas e dos adoráveis pretos velhos e, sem se esquecer do bondoso Pai Obaluaê, que aos poucos com seu fluido curava as chagas do seu corpo e espírito…

Fixou o olhar no céu, e nas nuvens brancas a rodear as estrelas e uma delas brilhava e cintilava, como se fosse o centro do Universo, então humildemente, nosso irmão de fé agradeceu a Pai Oxalá por ter lhe dado o Dom da Mediunidade. E poder levar alento e paz aos irmãos necessitados…

Então um perfume exalava de dentro do mar, eram rosas perfumadas que chegavam até ao seus pés, e foi ai que avistou Mãe Iemanjá, seu coração não se continha de tanta alegria, sua mãe o amparava e o confortava, e veio a sua mente…

“A elevação do filho de fé… Não está na força ou sabedoria, mas sim em seu coração. Porque ele pode saber pouco ou não ter força alguma. Mas sente a essência e o fundamento da verdadeira Umbanda… Paz, Amor e Caridade!!!”



